Pedro Neves
2022 · Pedro Neves Trio

Hindrances

Capa do álbum Hindrances

From Mature Jazz to the Melancholy of Current Days

Do jazz maduro à melancolia dos dias que correm

We need no more than five seconds to grasp the aesthetic richness that this latest work by the Pedro Neves Trio stirs within us. Even knowing that all albums are a kind of recollection—in musical jargon, we could even speak of a da capo—about the power we have to reinvent music, I believe we are facing a singular, yet not unprecedented, case.

Singular, insofar as it is protected by an atmosphere laden with cosmopolitan jazz postmodernism, where the unity of interwoven sounds suggests that we access a significant form that stems from the study, refinement, and sensitivity of its performers, and not from some vain, self-congratulatory experiment.

And it is not unprecedented because the chamber music option, via the jazz trio, has been successfully tested many times—i.e.: Bill Evans, Keith Jarrett, Brad Mehldau, ...just to name a few of the most fertile examples—assuring us of the rigour and authenticity of its members, combining knowledge and intimacy with the clarity of the sonic manifestations.

In this case, it is truly a matured exercise in stylistic purification where information overload is avoided—less is more—and where the currently fashionable, circus-like manoeuvres of contemporary spectacle and vertigo are rejected.

Imbued with a cool spirit, this work does not present us with an exclusively postbop program, but rather, with a statement where the musical material is autoethnographically excavated, track by track across eight delightful escapades, leaving us gathered between the power of its singular saying and the melancholic appearance of the exposed sounds.

At the same time, we are sent sonic messages that escape the stylistic domain of jazz—there are many European popular and erudite sonic evidences flanking this record—which allow us to affirm that jazz, itself, remains firm in the idea of what has always been dearest to it: the inevitability of mankind's confrontation with the limits of its own freedom and autonomy.

An album is a place of speech. This one does not escape that, placing upon us, its recipients, the burden of responsibility to consider it an element for collecting and sharing our own sayings, doings, and tastes.

Não necessitamos mais do que cinco segundos para darmos conta da riqueza estética que este último trabalho do Pedro Neves Trio nos suscita. Mesmo sabendo que todos os discos são uma espécie de recordação – na gíria musical poderíamos até falar de um da capo – sobre o poder que temos em reinventar a música, creio estarmos perante um caso singular, mas não insólito.

Singular, na medida em que vem protegido por uma atmosfera carregada de pós-modernismo jazzístico cosmopolita, onde a unidade dos sons entretecidos nos propõe acedermos a uma forma significante que advém do estudo, do apuro e da sensibilidade dos seus intérpretes, e não de uma qualquer vã experiência auto-celebratória.

E não é insólito porque a opção camerística, via trio de jazz, já várias vezes testada com muito êxito – i.e.: Bill Evans, Keith Jarrett, Brad Meldhau, ...só para nomear alguns dos exemplos mais férteis - nos assegura do rigor e da autenticidade dos seus membros, aliando conhecimento e intimidade à clarividência das manifestações sonoras.

Neste caso, trata-se mesmo de um exercício maturado de depuração estilística onde se evita o excesso de informação – less is more - e onde são recusadas as manobras circenses, tão em voga, do espetáculo e da vertigem contemporâneas.

Imbuído de um espírito cool este trabalho não nos coloca perante um programa exclusivamente postbop, mas sim, perante uma declaração onde a matéria musical é cavada autoetnograficamente, faixa a faixa em oito deliciosas peripécias, e nos deixa recolhidos entre a potência do seu dizer singular e a aparência melancólica dos sons expostos.

Ao mesmo tempo, são-nos enviadas mensagens sonoras que escapam ao domínio estilístico do jazz – há neste registo muitas evidências sonoras populares e eruditas europeias a ladeá-lo – e que nos permitem afirmar que o jazz, ele próprio, se mantém firme na ideia daquilo que sempre lhe foi mais caro: a inevitabilidade do confronto dos homens com os limites da sua própria liberdade e autonomia.

Um disco é um lugar de fala. Este não escapa a isso, colocando em nós, os seus recetores, o ónus da responsabilidade em considerá-lo elemento de recolha e de partilha dos nossos próprios dizeres, afazeres e gostos.

Tracklist

  • 01 Hindrances 09:26
  • 02 Pictures I Would Like To Show You 08:55
  • 03 One Mile Of Walking 03:26
  • 04 Development Of Behavior 06:23
  • 05 Experience Of Clarity 07:25
  • 06 Bumpy Roads 06:51
  • 07 Two Miles Of Walking 03:23
  • 08 Meet You At The Peak 08:31

Credits

Pedro Neves — Piano

Miguel Ângelo — Double Bass

José Marrucho — Drums

Recording, mixing and mastering — Rui Ferreira

Released October 19, 2022

Carimbo Porta-Jazz